Edital Elisabete Anderle

28/10/2009 – Será realizada na quarta-feira, dia 04 de novembro, às 10 horas, no Teatro Governador Pedro Ivo, junto ao Centro Administrativo do Governo do Estado, em Florianópolis, a assinatura dos contratos dos 189 projetos vencedores do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, em cerimônia que contará com a presença do governador Luiz Henrique da Silveira, entre outras autoridades. Promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, com apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e Conselho Estadual de Cultura (CEC), o edital representa um investimento de mais de R$ 6 milhões no setor. “Com o edital estamos ampliando as oportunidades de criação, distribuição e fruição dos bens culturais em nosso Estado, estendendo o acesso à cultura para as mais diversas comunidades”, acredita a presidente da FCC, Anita Pires. As inscrições, gratuitas, ficaram abertas entre 26 de outubro e 13 de março de 2009. Ao todo, foram recebidas 1.428 inscrições para as sete grandes áreas abarcadas no edital. Após análise da documentação, 1.083 projetos foram habilitados a continuar concorrendo aos prêmios. A área com mais inscrições foi a de Música, com 267 inscritos, seguida de Artes Visuais (215), Teatro (165), Letras (164), Patrimônio Cultural (107), Dança (87) e Artes Populares (78). Uma comissão julgadora formada por 21 membros trabalhou na seleção. “Este edital foi reconhecido como uma das melhores ideias do país para valorizar o trabalho dos produtores culturais. Todos os representantes do júri manifestaram-se nesse sentido e levaram esse modelo para seus estados a fim de materializá-lo”, afirma o presidente do CEC, Péricles Prade. “Os avaliadores ressaltaram a quantidade de projetos. Tivemos um extrato muito bom do que o segmento cultural de Santa Catarina pode produzir em termo de arte e cultura”, completa o presidente da Comissão de Organização e Acompanhamento do edital, Leone Silva. Voltado à produção, circulação, pesquisa, formação, preservação e difusão cultural em Santa Catarina, o Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura contempla sete áreas culturais, que foram subdivididas em segmentos. A área de Artes Populares foi subdividida nos segmentos Folclore e Artesanato e Arte Circense. Artes Visuais contemplará Projetos e Obras e Bolsas de Execução. Na Dança, recursos para Produção e/ou Circulação. Na área de Letras, subdivisão nos segmentos Publicações e Escritor na Escola. Para Música, recursos para gravação de CDs e DVDs. Na área de Patrimônio Cultural, investimento nos segmentos Material e Imaterial, Museus e Acervos. Em Teatro, prêmios para Circulação, Montagem e Pesquisa. O pagamento aos proponentes dos 189 projetos selecionados será efetuado em duas parcelas de 50%, sendo a primeira depositada logo após a assinatura do contrato, e a segunda até 28 de fevereiro de 2010. A documentação exigida para assinatura do contrato, informações sobre os jurados e a lista completos dos projetos selecionados estão disponíveis no site da Fundação Catarinense de Cultura (www.fcc.sc.gov.br). — Assessoria de Comunicação Fundação Catarinense de Cultura (FCC) Equipe: Deluana Buss e Sarah Westphal Fone: (48) 3953-2383 / 8843-8378 Email: imprensa@fcc.sc.gov.br Site: www.fcc.sc.gov.br Twitter: http://twitter.com/CulturaSC.

O Projeto “Pêssanka – Artesanato Ucraniano, Brasileiro, Catarinense” é um dos selecionados. Também estaremos lá assinando o contrato!

Vilson José Kotviski – vilson@pessanka.com.br

XXXVII Congresso da Juventude Ucraíno-Brasileira

XXXVII Congresso da Juventude Ucraíno-Brasileira

Já está circulando pela comunidade o convite para o XXXVII Congresso da Juventude Ucraíno-Brasileira, que acontecerá nos dias 06 e 07 de fevereiro de 2010. Este ano, pela primeira vez vai ser sediado pelas comunidades de Dorizon e Serra do Tigre, localidades do município de Mallet-PR.
É sem dúvida uma atitude corajosa da juventude da Serra do Tigre terem assumido o congresso, pois pela primeira vez um evento desta magnitude será realizado em uma colônia. É claro que não é uma simples colônia (sem desmerecer nenhuma, pois tenho muito orgulho de ter vivido grandes momentos da minha infância em Nova Galícia interior de Porto União-SC), mas sim a colônia que é um dos berços da comunidade, e que ostenta o mais importante e imponente símbolo histórico dos ucranianos no Brasil: a centenária Igreja de São Miguel Arcanjo. É também muito oportuna a parceria com a comunidade de Dorizon, que pela proximidade e afinidade vai poder receber bem os congressitas, e criar uma forma nova de realização de congressos, além de mostrar uma realidade distinta das demais comunidades que já sediaram as demais trinta e seis edições.
A temática desde congresso será voltada a Imigração Ucraniana da região, bem como as questões evasivas ligadas principalmente à língua e ortografia ucraniana e com o lema: “Construíram trabalhando”, pretende-se incentivar e despertar o interesse sobre a aculturação ucraniana. O modelo de oficinas culturais será aplicado, favorecendo a participação prática dos congressitas e tornando mais dinâmico o aprendizado, e um concurso de redações “conte sua história” pretende resgatar muitos conhecimentos que estão vivos na memória do povo, mas que ainda não contam com um registro escrito.
Maiores informações sobre inscrições no site:
http://www.caminhonovo.org/congresso/index.htm

Vilson José Kotviski
Porto União – SC
União da Vitória – PR
www.pessanka.com.br

Música Ucraniana no Brasil

Sábado passado estive em um casamento de um amigo e ele fez questão de arranjar um grupo que tocasse músicas ucranianas, já que a família dele e grande parte dos convidados era de origem ucraniana.

A banda que animou a festa chama-se “Chaleira Preta”, um conjunto típico da região sul vestido a caráter (botas, lenço, bombachas), mas que toca músicas ucranianas em seu repertório, inclusive de autoria do dono do conjunto. Não tenho certeza, mas acho que são de Araucária-PR.

Aí lembrei-me que existem vários descendentes que desenvolvem trabalhos em relação à música, como por exemplo o Grupo Yávir de Curitiba, com dois ótimos CDs gravados. Não sei se eles estão realizando apresentações atualmente, mas pela falta de notícias acredito que não.

Ainda em Curitiba, vinculado a SUBRAS, atua o conjunto Soloveyko, formado por integrantes do Barvinok, animam festas da sociedade, e tocaram no Festival de Danças em União da Vitória. Felipe Orestem vem desempenhando um papel muito importante neste conjunto.

Também junto a SUBRAS, funciona (e muito  bem) o Coral Haydamake, que sob o comando de Lauro Preima, vem realizando um trabalho digno de orgulho de toda a comunidade ucraniana.

Em Curitiba também existe o coral da Catedral São João Batista, e a capela de banduristas Fialka. A Bandura é o instrumento nacional ucraniano.

Prudentópolis-PR também tem sua representação na música ucraniana, com uma capela de banduristas, Coral São João Batista e com o Samuka e seu conjunto. Ele integrava antigamente o conjunto ucraniano “Os Pepenkes”, agora foi para carreira solo e o CD está bem disseminado pela comunidade, infelizmente nem sempre o original, assim como acontece com o Yávir.

Apresentação em União da Vitória.
Camila Lupepsa Latyki: apresentação em União da Vitória-PR.

Também de Prudentópolis temos uma cantora com uma presença de palco fantástica: Camila Lupepsa Latyki. Ela é integrante do Grupo Folclórico Vesselka e interpreta músicas ucranianas com uma graça e elegância que encantam o público. Que esta jovem continue em frente!

Em Mallet-PR, existe um conjunto gauchesco (Edinho Basniak), que toca músicas ucranianas, inclusive tocaram no Festival de Danças em Rio Azul, e animam festas pela região. De Canoas-RS também despontou recentemente um belo conjunto musical, o “Dunay”, comandado pelo amigo Jonatan Vianna. Mas infelizmente  o grupo está sem atividade no momento. Em Ivaí-PR também o Mário Churka (violino) segue seu trabalho de resgate das cantigas da hahylkas, trabalho digno de louvor pelo que a pesquisa representa. E em São Paulo, o Grupo Folclórico Kyiv conta com sua banda que toca ao vivo nas apresentações.

Ainda existiram outros tantos descendentes que desenvolveram trabalhos com músicas ucranianas em solo brasileiro, mas que hoje não se tem notícias. Mas com essa quantidade já seria até possível realizar um festival de músicas ucranianas no Brasil, quem sabe essa idéia ainda pode vir se tornar realidade!

Agradeço comentários que informem mais sobre outros grupos musicais ucranianos no Brasil.

Vilson José Kotviski

Para você que leu esse artigo, e se interessa pela música ucraniana, acesse também: http://pessanka.wordpress.com/2010/12/20/1%c2%ba-festival-da-musica-ucraniana-no-brasil/.

Projeto “Pêssanka – Artesanato Ucraniano, Brasileiro, Catarinense”

Santa Catarina: Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura

O projeto “Pêssanka – Artesanato Ucraniano, Brasileiro, Catarinense” foi um dos vencedores do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina. “Este edital foi reconhecido como uma das melhores idéias do país para valorizar o trabalho dos produtores culturais. Todos os representantes do júri manifestaram-se nesse sentido e levaram esse modelo para seus estados a fim de materializá-lo”, afirma o presidente do CEC, Péricles Prade. “Os avaliadores ressaltaram a quantidade de projetos. Tivemos um extrato muito bom do que o segmento cultural de Santa Catarina pode produzir em termo de arte e cultura”, completa o presidente da Comissão de Organização e Acompanhamento do edital, Leone Silva. Voltado à produção, circulação, pesquisa, formação, preservação e difusão cultural em Santa Catarina, o Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura contempla sete áreas culturais, que foram subdivididas em segmentos. O projeto “Pêssanka – Artesanato Ucraniano, Brasileiro, Catarinense” de autoria de Vilson José Kotviski, foi contemplado na categoria de artes populares – folclore e artesanato, e promoverá dez oficinas de pêssanka em diversas localidades como: Pintadinho e Jangada (Porto União), Irineópolis, Caçador, Três Barras, Canoinhas, Mafra, São Bento do Sul, Papanduva e Itaiópolis. Outras informações em: http://www.fcc.sc.gov.br/

Cultura ucraniana (pêssanka) – programa da Eliana (Tudo é Possível – TV Rede Record)

Em 2007 participamos do programa “Tudo é Possível” da apresentadora Eliana (que inclusive possui ascendência ucraniana por parte de mãe – sobrenome Michaelichen). Indo ao ar em rede nacional o programa trouxe um grande retorno de acessos ao nosso site (www.pessanka.com.br), e foi uma grande realização em relação ao trabalho com as pêssankas.
A produção do programa nos encontrou através do site, e disseram que queriam mostrar algo diferente na Páscoa, voltado à cultura. Após os contatos iniciais, foi definido que viriam gravar o processo de pintura em nossa cidade e depois iríamos para São Paulo para gravar no palco.
Como tínhamos dado um curso de pêssanka no fim de semana no Clube Ucraniano de União da Vitória, e a filmagem aconteceria na segunda-feira, resolvemos gravar neste local . Veio um produtor de São Paulo, e um cinegrafista e um motorista de Curitiba.
Na semana seguinte fomos de carro até Curitiba e pegamos um avião até São Paulo. Incluisve vivíamos a crise aérea, quando aconteciam muitos atrasos – éramos para chegar em SP as 13h00, chegamos as 15h00, e só deu tempo de arrumar as coisas e ir para o palco, pois era grande o atraso. Conhecer a gravação de um programa de auditório foi uma experiência muito interessante!
Na entrevista, foram várias as perguntas feitas, inclusive a cantora Cláudia Leite me fez uma pergunta sobre a camisa bordada, e após confirmar que era um traje ucraniano, declarou que se identificava muito com os ucranianos por causa de Clarisse Lispector, uma das grandes escritoras Brasileiras, nascida na Ucrânia. As perguntas de Claudia Leite não foram ao ar. Um dos diretores me disse ao final da entrevista: “cara, a Eliana gostou mesmo! Passou um monte do tempo previsto para a entrevista com você, foi muito legal, ela nunca passa do tempo, só quando gosta mesmo do assunto”.
Para quem quiser lembrar ou ver o que passou exatamente no dia da Páscoa de 2007, está aí o vídeo! A experiência e o tratamento que o pessoal da Rede Record nos prestaram em todo o processo foi excepcional, e só temos boas lembranças desta aventura. (Vilson e Oksana)

Vilson José Kotviski
www.pessanka.com.br

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=60OHWdfIUfg]

Pêssanka – arte ucraniana

Pêssankas de Vilson José Kotviski
Pêssankas de Vilson José Kotviski

Na história do povo ucraniano sempre esteve presente uma tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka. A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo, está no fato do mesmo possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surgiria a vida.

Com o passar dos anos, as ferramentas gradativamente evoluíram e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados da suas pinturas em ovos, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar.

Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos. Assim como outros povos antigos veneravam o Sol com Apolo e seu carro puxado por leões, os ucranianos reconheciam no mesmo astro, o Dajbóh, e à ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor para a Terra. O verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos novamente e o povo poderia trabalhar a terra para obter seu sustento. A festa da Primavera era um evento alegre, era acendida uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa. Oferecia seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo. Também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza. Neste tempo anterior ao cristianismo, o povo tinha suas crenças voltadas para aquilo que via e sentia. Era uma época em que mais do que nunca, o ucraniano estava ligado à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada
nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera. A solução encontrada pelo clero foi a adaptação deste antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo. A antiga e tradicional Festa da Primavera, transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva.As pêssankas, continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero religioso fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos. As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos parentes
e amigos respeitados, na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar. Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais, o comunismo … e as pêssankas continuam acompanhando a vida desta gente, que veio para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus filhos, trazendo na bagagem uma cultura milenar, que hoje respira a liberdade. A Ucrânia, em 1991 finalmente adquiriu sua independência, exigida pela população que saiu às ruas e hoje, além da seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente.

Vilson José Kotviski