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Oficinas de pêssankas confirmadas – Vilson José Kotviski

pessankaAs oficinas de pêssanka já confirmadas para 2018 são:

  • Caçador-SC 10/02/18 (sábado) a partir das 14h.
  • Canoinhas-SC 15/02/18 (quinta) a partir das 18h00
  • Lages-SC 22 e 23 (quina e sexta) a partir das 14h e 08h

Nas oficinas, os participantes terão a oportunidade de vivenciar a arte da pêssanka, aprendendo de forma prática a técnica desta arte milenar.

A coordenação será a cargo do mestre e artesão de pêssankas Vilson José Kotviski, um dos expoentes desta arte no Brasil.

www.pessanka.com.br

Tintas para pêssanka  – Como preparar – Dicas – Cuidados – Onde Comprar

tintas para pêssanka - o prontas para uso.
tintas para pêssanka – o prontas para uso.

As tintas para pêssanka (ou corantes para pêssanka) são especialmente desenvolvidas para o feitio desta milenar arte ucraniana, visando o melhor resultado possível para a casca dos ovos.

No passado as pessoas utilizavam qualquer elemento que pudesse colorir os ovos, como argila, casca de árvores, plantas, folhas, raízes, etc.

O processo de coloração era mais difícil e nem sempre proporcionava o resultado esperado. Com os corantes contemporâneos temos a condição de ter ótimos resultados em nossas pêssankas.

 

 

Como preparar as tintas:

 

As tintas s em pó, para serem preparadas em casa. Então você deve providenciar recipientes com tampa, como por exemplo vidros de conserva ou potes plásticos.

Tenha também papel para forrar a mesa, tesoura e se quiser utilize também luvas, e para a conclusão final, tenha colher e vinagre.

 

– Coloque a água para ferver, a quantidade depende de quantas tintas você vai preparar. Vamos usar cerca de 200ml para cada cor à ser preparada.

– Forre com papel o local onde você irá dissolver as tintas, pois pode respingar e manchar o local.

– Abra o envelope, retire a embalagem interna e com muito cuidado faça um corte para remover o corante em pó.

– Despeje o pó no fundo do recipiente com cuidado.

– Despeje água fervente com cuidado para não respingar.

– Espere esfriar e adicione uma colher de sopa de vingre.

 

Sua tinta está pronta para uso!

 

Outras dicas:

– Lembre de manter o recipiente sempre fechado quando não estiver em uso. E sempre anote na tampa e no recipiente a cor e também a data em dissolveu a tinta.

– Com o tempo, caso perceba que não está colorindo bem, adicione mais vinagre ou aqueça a tinta em banho-maria.

– As cores podem sofrer variações nas tonalidades ou mesmo manchar conforme a casca do ovo. Não existe um tempo determinado para a coloração, então você deve sempre observar constantemente como está a tonalidade da casca. Nunca deixe o ovo imerso por um tempo demasiado, como por exemplo passar a noite toda na tinta.

– A vida útil do corante depende da sua utilização, conservação e do tempo de uso. Recomenda-se a renovação dos corantes a cada seis meses, por isso é importante que seja anotada a data em que a tinta foi preparada.

– Nunca misture as cores, utilize uma colher para cada cor.

 

Cuidados especiais:

Estes corantes são concentrados e não alimentícios, nunca ingerir, e não consumir ovos coloridos com este corante. O uso é específico para pêssankas!

Evite contato com os olhos e contato prolongado com a pele. Lavar com água corrente. E para remover manchas use água e sabão.

 

Onde comprar:

Você encontra as tintas para pêssanka na nossa loja virtual: www.pessanka.com.br/loja, ou em contato direto pelo telefone: 42 98432 8561 – Vilson

 

 

Vilson José Kotviski

www.pessanka.com.br

Pêssanka – arte ucraniana

Pêssankas de Vilson José Kotviski
Pêssankas de Vilson José Kotviski

Na história do povo ucraniano sempre esteve presente uma tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka. A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo, está no fato do mesmo possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surgiria a vida.

Com o passar dos anos, as ferramentas gradativamente evoluíram e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados da suas pinturas em ovos, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar.

Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos. Assim como outros povos antigos veneravam o Sol com Apolo e seu carro puxado por leões, os ucranianos reconheciam no mesmo astro, o Dajbóh, e à ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor para a Terra. O verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos novamente e o povo poderia trabalhar a terra para obter seu sustento. A festa da Primavera era um evento alegre, era acendida uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa. Oferecia seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo. Também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza. Neste tempo anterior ao cristianismo, o povo tinha suas crenças voltadas para aquilo que via e sentia. Era uma época em que mais do que nunca, o ucraniano estava ligado à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada
nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera. A solução encontrada pelo clero foi a adaptação deste antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo. A antiga e tradicional Festa da Primavera, transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva.As pêssankas, continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero religioso fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos. As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos parentes
e amigos respeitados, na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar. Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais, o comunismo … e as pêssankas continuam acompanhando a vida desta gente, que veio para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus filhos, trazendo na bagagem uma cultura milenar, que hoje respira a liberdade. A Ucrânia, em 1991 finalmente adquiriu sua independência, exigida pela população que saiu às ruas e hoje, além da seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente.

Vilson José Kotviski