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Oficina de Pêssankas – Projeto Valorização e Integração das Etnias do Vale do Contestado: Colônia Legru, Porto União-SC

Por: Vilson José Kotviski

Acontece no dia 19/05/18 a última oficina de pêssankas do projeto “Valorização e Integração das Etnias do Vale do Contestado” na Colônia Legru, interior de Porto União-SC.

Inicialmente a oficina foi programada 12/04/18, mas acabou não sendo realizada por motivos alheios à nossa vontade.

A coordenação da oficina será executada pelo Mestre e Artesão de Pêssankas Vilson José Kotviski, sendo o projeto uma ação do Folclore Ucraniano Kalena de Porto União-SC.

Interessados em participar, podem entrar em contato: 42 98432 8561 – Vilson.

 

Importante: Por motivo de força maior, a oficina será transferida para a sede do Clube Ucraniano, com nova data a ser programada. 
Legru - Porto União-SC

OFICINA DE PÊSSANKAS NA COLÔNIA LEGRU, PORTO UNIÃO-SC: PROJETO VALORIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS ETNIAS DO VALE DO CONTESTADO

Vilson José Kotviski – pêssankas

Acontece no dia 12/04/18, na Colônia Legru, interior de Porto União-SC a terceira e última oficina de pêssankas do projeto Valorização e Integração das Etnias do Vale do Contestado.

A oficina será ministrada no Núcleo Educacional do Legru, pelo mestre e artesão de pêssankas, Vilson José Kotviski, e conta com o apoio da Secretaria de Educação de Porto União, através da Secretária Aldair Wengerkiewicz Muncinelli. Estão convidados alunos da escola e membros da comunidade para a participação na oficina.

O projeto foi desenvolvido pelo Folclore Ucraniano Kalena, de Porto União-SC, e realizará uma série de atividades, as quais são: 3 oficinas de pêssankas: em Caçador, Canoinhas e Colônia Legru (Porto União), e 5 apresentações artísticas do Folclore Ucraniano Kalena e convidados nas cidades de Piratuba, Treze Tílias, Caçador, Canoinhas e Porto2018-02-08-PHOTO-00012240 União.

 

Curso de Pêssanka em Colônia Craveiro, Santa Terezinha-SC – coordenação Vilson José Kotviski

Curso de Pêssanka em Colônia Craveiro

Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura

 

pessanka de Vilson José Kotviski

A quarta oficina do projeto “Pêssanka – Artesanato Ucraniano, Brasileiro, Catarinense” será realizada no próximo fim de semana na Colônia Craveiro, município de Santa Terezinha-SC.

A pêssanka tem origem à mais de 3000 a.C, sendo um dos símbolos mais importantes da cultura ucraniana, e seus desenhos  trazem belas mensagens como paz, harmonia, amor, saúde e amizade. A arte foi trazida à Santa Catarina através dos imigrantes que se fixaram principalmente no Planalto Norte, onde existem várias comunidades organizadas.

E é justamente em nestas comunidades que o projeto está sendo desenvolvido, como forma de contribuir para a preservação dos valores culturais que a imigração trouxe ao estado.

 A proposta é uma das vencedoras do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura (Fundação Catarinense de Cultura), e promoverá dez oficinas gratuitas em comunidades ucranianas de Santa Catarina, contando com a coordenação de Vilson José Kotviski (31) um dos expoentes da arte no Brasil.

Vilson José Kotviski – vilson@pessanka.com.br     www.pessanka.com.br

Curso de Pêssanka em Mafra-SC: a tradição da arte ucraniana em ovos

Participantes do curso de pêssanka em Mafra, nos fundos da igreja ucraniana

A Comunidade Ucraniana de Mafra-SC recebeu a terceira oficina do Projeto “Pêssanka – Artesanato Ucraniano, Brasileiro, Catarinense” nos dias 20 e 21/03/10.

Superando o número programado, com um total de 24 participantes, a oficina foi muito produtiva revelou muitos talentos. Além das pessoas de Mafra, tivemos também representantes da comunidade ucraniana de Guaramirin-SC, que se deslocaram cerca de 90km para participar da oficina, aproveitando a oportunidade.

Oficina de pêssanka em Mafra-SC

Os participantes, nos questionários de avaliação da oficina, relataram estarem muito satisfeitos e consideraram que poderia ter mais tempo para uma atividade tão agradável, demonstrando entusiasmo com o aprendizado. No domingo de manhã muitos visitantes puderam conhecer os primeiras pêssankas produzidas na oficina e também em uma breve explanação do coordenador Vilson Kotviski, tiveram um conhecimento maior sobre a arte e sobre o projeto, viabilizado através do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura.

Oficina de pêssanka em Mafra-SC

Vilson José Kotviski – vilson@pessanka.com.br / www.pessanka.com.br

Pêssanka – arte ucraniana

Pêssankas de Vilson José Kotviski
Pêssankas de Vilson José Kotviski

Na história do povo ucraniano sempre esteve presente uma tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka. A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo, está no fato do mesmo possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surgiria a vida.

Com o passar dos anos, as ferramentas gradativamente evoluíram e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados da suas pinturas em ovos, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar.

Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos. Assim como outros povos antigos veneravam o Sol com Apolo e seu carro puxado por leões, os ucranianos reconheciam no mesmo astro, o Dajbóh, e à ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor para a Terra. O verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos novamente e o povo poderia trabalhar a terra para obter seu sustento. A festa da Primavera era um evento alegre, era acendida uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa. Oferecia seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo. Também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza. Neste tempo anterior ao cristianismo, o povo tinha suas crenças voltadas para aquilo que via e sentia. Era uma época em que mais do que nunca, o ucraniano estava ligado à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada
nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera. A solução encontrada pelo clero foi a adaptação deste antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo. A antiga e tradicional Festa da Primavera, transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva.As pêssankas, continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero religioso fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos. As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos parentes
e amigos respeitados, na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar. Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais, o comunismo … e as pêssankas continuam acompanhando a vida desta gente, que veio para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus filhos, trazendo na bagagem uma cultura milenar, que hoje respira a liberdade. A Ucrânia, em 1991 finalmente adquiriu sua independência, exigida pela população que saiu às ruas e hoje, além da seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente.

Vilson José Kotviski