Grupo Ucraniano Vesselka se apresentará na posse da Presidente Dilma Roussef

A etnia ucraniana estará representada pelo Grupo Folclórico Ucraniano Brasileiro Vesselka, da cidade de Prudentópolis-PR, nas atrações culturais programadas para a posse da Presidente Dilma Roussef.
O grupo participará do projeto “Arena Brasil”, conforme informação coletada no Bog da Dilma (http://blogdadilma.blog.br).

1º Festival da Música Ucraniana no Brasil

 Conforme já anunciado através do calendário oficial da Representação Central Ucraniano-Brasileira, estaremos realizando em União da Vitória-PR e Porto União-SC, o 1º Festival da Música Ucraniana no Brasil, evento que integra as festividades alusivas aos 120 Anos da Imigração Ucraniana no Brasil.

A data programada é 14 de maio de 2011, e o evento é aberto para todos os gêneros de música ucraniana, executada por grupos musicais, grupos de banduristas, instrumentistas ou cantores, pois o objetivo é o incentivo à continuidade e desenvolvimento da música ucraniana no Brasil.

A organização do evento é baseada nos seguintes princípios:

– Valorizar a música ucraniana em todas as suas modalidades estilos, ritmos e influências;
– Reafirmar, através da música, a importância do trabalho desenvolvido pelos artistas da comunidade ucraniana;
– Promover e intensificar o turismo de eventos culturais e projetar a Comunidade Ucraniana no cenário cultural paranaense, catarinense e brasileiro;
– Criar espaço para a manifestação da expressão da arte, desenvolvimento de novos talentos, oferecendo um espetáculo cultural qualificado e acessível ao público;
– Incentivar os participantes, para o desenvolvimento do trabalho musical da comunidade ucraniana, despertando o interesse pelas tradições culturais manifestadas pela música.

Esperamos que este festival tenha o mesmo êxito do Festival Nacional de Danças, lançado em nossas cidades em 1994, que hoje vai para sua 18º edição ininterrupta, sendo hoje a principal manifestação cultural da Comunidade Ucraniano-Brasileira e grande impulsionador para o surgimento de novos grupos.

E para isso desde já contamos com o empenho de nossos artistas para participarem deste evento, acreditando nesta idéia que visa valorizar as pessoas que trabalham pela cultura ucraniana manifestada pela música.

Em breve estaremos oficializando os convites aos nossos artistas da música ucraniana e contamos também com o apoio de toda a comunidade, informando e incentivando nossos artistas da música para fazerem parte deste novo marco da cultura ucraniana no Brasil!

Vilson José Kotviski

Equipe de Organização

União da Vitória-PR / Porto União-SC

O Natal entre os ucranianos – tradições ucranianas

O Natal entre os Ucranianos

Natal representa para todos a festa do nascimento do Menino-Deus, o Messias, o Enviado, Jesus Cristo. Cada nação tem as suas particularidades, costumes e tradições nas celebrações deste evento. Na Ucrânia isto não é diferente. O Natal é uma festa muito rica, de vários costumes, populares e religiosos, que engrandecem e enaltecem o acontecimento.

Os ucranianos na pátria mãe e em alguns lugares da diáspora comemoram o Natal no dia 7 de janeiro, pois seguem o calendário juliano, que foi implantado pelo Imperador Júlio César no ano 46 a.C., distinguindo-se bastante já neste porém, em relação ao calendário da Igreja no Ocidente, de Rito Latino. Em 1582, o Papa Gregório XIII promulgou o calendário gregoriano que tem uma diferença de 13 dias. Assim, o dia 7 de janeiro do calendário «novo» equivale ao dia 25 de dezembro do calendário «antigo». Entre os ucranianos no Brasil, os Católicos seguem o calendário gregoriano e os Ortodoxos seguem o calendário juliano. Embora a diferença de calendário, os costumes e tradições, tanto religiosas como populares, são mantidas por ambos, com muito respeito.

A festa do Natal é precedida por um período de preparação.

Inicia-se no dia 27 de novembro (14 de novembro no calendário gregoriano) com a festa do Apóstolo São Felipe. Chama-se este período de «Pelêpivka». Este tempo é realçado por um período de jejum e penitência, na espera do tão almejado hóspede, o Filho de Deus.

Durante este tempo de preparação para o Natal, um momento importante é a celebração da Festa de São Nicolau. No calendário gregoriano, dia 06 de dezembro, no calendário juliano, dia 19 dezembro. São Nicolau é um dos santos mais populares na Ucrânia, embora seja natural do Oriente Médio (cidade de Izmirna, hoje na Turquia). Bispo da Igreja, sempre se destacou pela suas obras de misericórdia e amor fraterno ao próximo. Estes seus gestos sempre tocaram os corações, por isso, são vários os ícones que representam este constante culto a ele prestado em todo o Oriente. Entre os ucranianos, é considerado o patrono dos agricultores, defensor dos animais, patrono do inverno. Porém, acima de tudo, é o patrono das crianças. Por isso, no dia de São Nicolau, costuma-se realizar a troca de presentes entre as pessoas, e presentear, de um modo especial, as crianças. Quem entrega os presentes para as crianças? O próprio São Nicolau. Ele é representado em suas vestes de Bispo oriental, uma pessoa idosa, meiga e carinhosa para com as crianças. Geralmente é acompanhado pelos anjos, que trazem os presentes a serem distribuídos. Representa a bondade, a generosidade, o bem. Porém, na representação de São Nicolau, aparece também a representação do mal, através de uma pessoa mascarada que representa a tentação, o vício, a desordem, o pecado. No diálogo com as crianças, as perguntas dirigem-se em forma de um questionário sobre o bem que elas praticaram ou podem praticar. O presente é a recompensa pelo bem praticado. No Ocidente, São Nicolau foi substituído pela figura do Papai Noel.

Um significado todo especial para a véspera de Natal entre os ucranianos é a realização da Santa Ceia. Ela encerra o período da «Pelêpivka», quaresma de preparação ao nascimento do Filho de Deus. É a festa da família. Reúnem-se todos para a ceia, na celebração de um ritual todo especial. Inicia-se a preparação com a limpeza da casa, tudo deve estar bem asseado para a visita dos familiares, pois juntos estão à espera do hóspede maior. A dona da casa deve estar, neste dia, atarefada com a preparação dos pratos do ritual que serão consumidos durante o jantar. No interior, nas colônias, o dono da casa deve cuidar da sua «hospodarka», a propriedade, procurando fazer a limpeza de todos os espaços de sua «fazenda», alimentar bem os animais, pois eles também fazem parte da realidade da casa.

Ao entardecer, todos os membros da família devem estar reunidos. Como deve estar preparada a casa e a mesa da ceia?

Prepara-se a «ialenka» – árvore de Natal. Qual o seu significado? A árvore sempre indica para o alto. Lá em cima, deve estar presente a estrela. Ela indica o caminho. Assim como foi para os magos do Oriente. Ela nos guia para o Deus que vem, que é e que será presença entre todos. A árvore é enfeitada com vários adornos, entre estes, os doces, que serão depois apanhados por todos e consumidos. São dádivas, presentes de Deus derramados sobre a humanidade através do Filho Jesus.

Quando todos estão já reunidos, o dono da casa – hospódar – traz um feixe de trigo, para dentro da casa. Dá-se a este feixe de trigo o nome de «didukh». Representa ele os antepassados, os falecidos, bem como a fartura, a boa colheita, o progresso, o bem estar das pessoas. O «didukh» é trazido para dentro de casa como um ritual sagrado, com respeito e colocado, então, em um lugar de destaque, anteriormente preparado. A mesa da ceia natalina é forrada com o feno, coberto depois com a toalha bordada. Que representa este feno? A «manjedoura» onde será colocado o Menino. Como a mesa farta, assim também o Filho de Deus trará as bênçãos para todos na família. Deve ser ele acolhido com o calor humano das pessoas, no relacionamento familiar, na unidade e bem estar. Costuma-se colocar sobre a mesa um castiçal de 3 velas que simbolizam a Santíssima Trindade (O Pai, o Filho e o Espírito Santo). No assoalho, sob a mesa, coloca-se a palha de trigo, junto com os instrumentos do trabalho do campo: o machado, a enxada, o «serp» (instrumento para a colheita do trigo), entre outros. São ali colocados, pedindo, para que em toda a propriedade estejam presentes as bênçãos de Deus. A ceia está pronta. Ela deve ser servida quando a primeira estrela aparecer no céu. No inicio, o dono da casa convida a todos para a ceia. Todos devem estar presentes. Fazendo a oração pela família, o «hospódar» – o dono da casa – saúda a todos com as palavras: «Khrestós Rodêvcia!» (Cristo nasceu!). Todos respondem: «Slavimo Iohó» (Glorifiquemo-lo). Em seguida, o «hospódar» serve, para todos os presentes, um pequeno pedaço de pão embebido no mel. Que a vida familiar seja sempre alegre, unida, vivida no bem estar humano e espiritual. Em algumas regiões da Ucrânia e em algumas famílias aqui no Brasil, o dono da casa convida para a ceia também as «tempestades, as enchentes, o granizo, as geadas, os ventos». Espera-se em silêncio. Como não se ouve a resposta, o dono da casa responde: «Como as tempestades, as enchentes, o granizo, as geadas, os ventos, não foram dignos de aceitar o nosso convite para a ceia, que também não apareçam durante o ano, quando não convidados».

Em seguida, serve-se a ceia. Ela é composta de 12 pratos. No passado, representavam eles, os doze meses do ano. No cristianismo, os doze apóstolos, discípulos do Divino Mestre que anunciam a sua mensagem. Cada cristão deve anunciar o bem, testemunhando a doutrina do Divino Mestre Jesus.

Eis alguns dos pratos que devem ser servidos:

1 – «Kutiá» – grãos de trigo cozido adoçados com mel, passas de frutas (uvas) e nozes ou castanhas e sementes de papoula. O trigo representa a fartura, o progresso, o bem estar. O mel, que a vida deve ser temperada com a alegria da saúde, do bem estar, na amizade, na unidade familiar. Simboliza o trabalho do agricultor e das abelhas. Também representa os entes queridos que faleceram. Elo entre os vivos e os mortos.

2 – «Borchtch» – sopa de beterraba e repolho, servida com pão de centeio.

3 – «Mlêntsi» ou «Nalêsneke» – tipo de panquecas.

4 – «Varének» – espécie de pastel (tipo ravióli) que antigamente era recheado com repolho, trigo sarraceno (mourisco), ameixas, geléias ou sementes de papoula. Embora o recheio de batata com requeijão tenha se tornado popular entre nós, na ceia de Natal era raramente usado, uma vez que para nossos ancestrais, há centenas e centenas de anos atrás, a batata era desconhecida, chegando à Ucrânia somente por volta dos séc. XVII e XVIII. Na região da Galícia (Ucrânia Ocidental) é chamado de «perih», enquanto na Ucrânia Oriental «perih» é uma espécie de pãozinho branco assado no forno contendo algum recheio.

5 – «Holubtsí» – rolinhos de repolho – espécie de «charuto», com trigo sarraceno, cebola e cogumelos, enrolado com folha de repolho. É cozido no vapor ou em «banho maria». Na Ucrânia são preparados com folhas de repolho em conserva em virtude da neve, sendo que em outras estações do ano são usadas folhas frescas de repolho ou de beterraba.

6 – «Krujalkê» – espécie de repolho cozido, temperado com água, sal e iguarias.

7 – Peixe em conserva.

8 – Várias espécies de pão, biscoitos de mel.

9 – «Kácha» – espécie de cevada moída, preparada com iguarias.

10 – «Hrebê» – espécie de cogumelos cozidos, preparados em forma de salada ou em forma de molho, para serem consumidos junto com os demais pratos.

11 – «Kalatch» ou «Kolatch» – pão doce – em algumas regiões com recheio de doces de frutas. O pão representa a colheita do ano e é adornado com uma vela que iluminará a mesa e deve permanecer sobre a mesma durante 3 dias.

12 – «Kompot» ou «Uzvar» – compota feita das mais variadas frutas guardadas em conserva desde o verão (cereja, ameixa, pêra, maçã, uva). Em algumas regiões é preparada com bastante calda de forma que pode ser usada também como suco, substituindo as bebidas alcoólicas.

E ainda temos outros pratos: «kapusniák» (sopa de repolho), «perijkê» (pasteizinhos assados recheados com repolho, ou com doces de frutas), pepinos e outros mais.

Український борщ Вареники

Obs.: A ceia deve ser preparada com produtos não gordurosos que possam representar a água, o ar e a terra, pois ainda nos encontramos no período de quaresma «Pelêpivka». Ela só encerra-se à meia noite, quando da participação de toda a família na Divina Liturgia na igreja da comunidade.

Durante a ceia, iniciam-se os cantos natalinos – «Kolhadê». Eles nos falam do nascimento do Menino Jesus. A alegria deve ser contagiante neste momento da ceia. Cada um saúda os presentes, iniciando uma «Kólhada». Elas continuam até o final da ceia. É comum em todas as famílias deixar sempre um lugar a mais preparado durante a ceia. Este lugar pode representar algum familiar ou amigo que não tem a possibilidade de estar festejando o Natal em uma família, bem como representar aqueles que passaram desta terra para a eternidade: eterna é a lembrança deles entre todos.

Quando todos terminam a ceia, saem para a participação da liturgia na igreja da comunidade. Nada se retira da mesa. Ela deve permanecer assim, pois a crença diz que os «ausentes» virão tomar a sua parte na refeição da ceia.

Na Igreja, na celebração litúrgica, ouve-se muito as «kolhadê», canções natalinas. Todos cantam e saúdam-se com a saudação típica para a festa do Natal: «Khrestós Rodêvcia» – «Slavimo Iohó». (Cristo nasceu – Glorifiquemo-lo.) As canções natalinas serão entoadas nas igrejas até o dia 02 de fevereiro (calendário gregoriano).

Após a celebração na igreja, grupos de pessoas, geralmente homens, organizam-se para visitar as famílias e saudá-las com o canto das «Kolhadê». Vão de casa em casa. As famílias os recebem. São saudadas pelos cantores – «kolhadnekê» – que levam consigo uma estrela grande feita de «soloma» (palha de trigo) e também um «vertép» (presépio). Nesta saudação, deseja-se o bem estar para todos, o progresso humano e espiritual, a saúde, a boa colheita. Geralmente estes cantores são recompensados, não apenas com as guloseimas costumeiras, mas também com uma recompensa em bens materiais, que serão destinados ao bem estar de toda a comunidade.


Elaborado por: Pe. Daniel Kozlinski

Fontes: IVAN SENKIV – «O Natal nas tradições populares e litúrgicas» (em ucraniano) em «Nache Jytiá», dez/1977.

IULIAN KATRIY – «Piznai svii obriad», Padres Basilianos – Toronto.

IGREJAS UCRANIANAS: Frutos de uma arquitetura abençoada

PATRIMÔNIO

Frutos de uma arquitetura abençoada

Paraná tem 200 igrejas ucranianas de madeira, mas muitas padecem por falta de manutenção e porque nem sempre são vistas como um patrimônio cultural a ser preservado

Publicado em 27/11/2010 | POLLIANNA MILAN

Obra de arte não tem religião. Mas na prática não é o que parece. Pelos quatro cantos do país é fácil encontrar igrejas que estão a ponto de ruir. Diria o arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antonio Moreira, presidente da comissão de bens culturais da regional Leste, que as casas de Deus representam 60% das obras artísticas do país. O problema é que muitas estão abandonadas porque esbarram em uma questão de crença: quem não é religioso normalmente não se interessa em saber quais foram as técnicas construtivas aplicadas nesses verdadeiros templos arquitetônicos. E pior. Há padres rezando por aí que igrejinha de madeira é coisa de pobre: quando existe dinheiro, ele não é usado na conservação, mas com o intuito de derrubar tudo e construir a sonhada igreja de alvenaria, mais moderna. “Antes ainda existia a aura de que se estragar é pecado. Hoje nem isso”, afirma o arquiteto Key Imaguire, que estuda a arquitetura de madeira no estado. É no interior do Paraná que estão escondidas as verdadeiras relíquias de madeira, muitas desconhecidas por grande parte dos próprios paranaenses. Ao todo, são cerca de 200: 25 delas foram catalogadas em um dossiê arquitetônico que virou livro, intitulado Igrejas Ucranianas: arquitetura da imigração no Paraná. O estudo desta arquitetura é uma lição de herança cultural, da relação do homem que chegou por aqui (no caso os ucranianos) com o ambiente que encontrou, com a matéria-prima que necessitava para reconstruir sua identidade. Não por acaso, três das igrejas construídas por esses imigrantes já têm tombamento estadual e duas estão com processo de tombamento federal. “Não sei se o tombamento é a melhor alternativa, porque pode engessar. É lógico que se for tombado e vir o recurso [como em Antonio Olinto], ótimo. Caso contrário, é importante trabalhar com a comunidade para explicar a importância da manutenção e do que não deve ser feito, para que não se cometam besteiras durante a reforma”, explica Key. Acesso É difícil chegar a grande parte dessa igrejas, o que de certa forma justifica a falta de prestígio. Elas ficam em áreas rurais e o acesso normalmente se dá por meio de uma estrada de barro vermelho que vira lamaçal em dias de chuva. O pior é que as antigas famílias, que cuidavam desse patrimônio, estão sumindo. “Certas comunidades são muito pequenas. Em uma delas, havia quatro famílias que cuidavam da igreja. Os filhos casaram, foram embora e não há mais pessoas da comunidade para fazer a manutenção”, diz Key Imaguire. “Quando passamos pelo interior para fazer o levantamento, um grupo de senhoras nos perguntou quando o padre iria voltar para rezar a missa. Ou seja, nem o sacerdote pertence mais ao local.” Grande parte das igrejas foi construída no século 19: elas normalmente têm uma torre sobre os telhados, com base octogonal e que acaba com uma cúpula que parece a silhueta de uma pera. “A cúpula acabou virando o símbolo dos ucranianos no Brasil”, explica a arquiteta Marialba Gaspar Imaguire, uma das autoras do livro. A cúpula, segundo Marialba, é quase sempre aberta na parte que fica no interior da igreja, para seguir a lógica de canalizar as orações ao céu. “É uma arquitetura semelhante à das igrejas russas, mas os próprios ucranianos negam isso, provavelmente por causa da ocupação russa na Ucrânia”, afirma. Algumas igrejas chegam a ter pequenas varandas na entrada. As três mais antigas do Paraná são as igrejas de São Miguel de Arcanjo (em Dorizon), Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Antônio Olinto) e Espírito Santo (General Carneiro). “Percebe-se nesses primeiros templos a perpetuação no Paraná da constituição do sistema construtivo da Ucrânia”, diz Marialba. Internamente a obra de arte também se repete. As igrejas têm pinturas bastante coloridas, feitas com a técnica estêncil, muitas com padrões geométricos que mais parecem bordados e pinturas de pêssankas. As pinturas podem ainda representar tapetes, cenas do cotidiano ou buscar reflexões espirituais. Simbologia A iconostáse é um dos artigos de alto custo das igrejas ucranianas e acaba tendo destaque somente nas mais importantes, como a de São Josafat, em Prudentópolis. É um painel com ícones de santos que ganhou importância no período Renascentista e teve seu ápice durante o período barroco, quando foram trabalhadas com entalhes e cores douradas. Outras preciosidades são os campanários. A arquitetura tem igual importância, pois se comunica de certa forma com a da igreja, mas normalmente menor, com uma cobertura que protege os sinos. Como as igrejas ficam “escondidas”, já se pensou em criar um roteiro turístico para divulgá-las. Mas, enquanto o projeto não sai do papel, pelo menos o levantamento feito pelos arquitetos “mudou o conceito dos padres, que passaram a valorizar mais as igrejas de madeira e desistiram da ideia de construir uma de alvenaria no lugar”, de acordo com Key. A solução de engessar a arquitetura com cimento só aconteceu na Igreja de São Pedro de São Paulo, em Irati, porque ela estava para ruir: a comunidade decidiu fazer o lado de fora de alvenaria e deixar a parte interna intacta, com as paredes de madeira. Apesar do rico patrimônio encontrado no Paraná, é na Bahia e em Minas Gerais que estão as principais arquiteturas religiosas do Brasil. Mesmo assim, a degradação também existe nesses estados. O Instituto do Patrimônio His tórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da Cultura, diz que a atual política é a de se voltar para a arquitetura religiosa de outras localidades do país. Um exemplo é a igreja de Antonio Olinto no Paraná: a primeira do estado a receber verbas federais para o seu restauro.

Serviço: O estudo das 25 igrejas está no livro Igrejas Ucranianas: arquitetura da imigração no Paraná, dos arquitetos Fábio Domingos Batista, Sandra Magalhães Corrêa e Marialba Gaspar Imaguire. A obra é do Instituto Arquibrasil. Mais informações pelo telefone (41) 3252-7634. http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1072045&tit=Frutos-de-uma-arquitetura-abencoada __._,_.___